Produtores rurais e famílias de Mogi das Cruzes contam com apoio durante pandemia

Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Iniciativa tem participação da Secretaria de Agricultura do Estado e recurso de R$ 1 milhão da Fundação Banco do Brasil. Uma ação considerada inovadora e ágil pelos participantes uniu a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, por meio da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) Regional Mogi das Cruzes, a Fundação Banco do Brasil, a Prefeitura de Mogi das Cruzes e os produtores rurais, para entregar 10 mil cestas de alimentos a cinco mil famílias em situação de vulnerabilidade.

A primeira entrega ocorreu na última semana, de forma escalonada. A segunda etapa será realizada em 12, 13 e 14 de maio. Outras seis entregas serão feitas dentro de um mês, em uma ação que teve o aporte de R$ 1 milhão repassados pela Fundação Banco do Brasil para pagamento dos produtores rurais.

O sociólogo da CDRS Regional Mogi das Cruzes, David Rodrigues, responsável, no âmbito da Regional, pelas organizações rurais, destaca a importância da iniciativa. "A ação toda foi muita rápida. A produtora Simone Silotti, vendo a necessidade de fazer algo para que os produtores rurais do bairro Quatinga pudessem escoar a sua produção e obter renda para sobreviver, organizou uma 'vaquinha virtual' para angariar dinheiro. As perdas foram tantas, que chamaram a atenção da mídia e da Fundação Banco do Brasil, a qual estava atenta em busca de ações que pudessem auxiliar os agricultores familiares durante a pandemia", disse o técnico.

Simone Silotti afirma que 60 produtores rurais foram envolvidos e ofereceram, na primeira fase, alimentos frescos e saudáveis para as famílias. "Foram 40 toneladas de folhosas, entre alfaces, agrião e rúcula; 40 toneladas de legumes; 20 toneladas de frutas; e, ainda, cogumelos Shimeji para as primeiras entregas", revela.

Apoio

A produtora Simone Silotti agradeceu ao apoio recebido. "Foi a maior e mais linda ação da qual eu já pude participar. Está permitindo manter a estabilidade dos 65 produtores rurais envolvidos e prover a alimentação para as cinco mil famílias que vão se beneficiar destas cestas", afirma.

Liderança ativa no bairro Quatinga, onde onze famílias de agricultores familiares vivem da produção de olerícolas, Simone reforça que todos foram remunerados com preço justo. "Esse projeto trouxe socorro e esperança para as famílias, tanto as que produzem quanto as que estão recebendo os alimentos. Além disso, para mim, foi uma oportunidade de propiciar que essas famílias pudessem experimentar e apreciar o shimeji, um produto que normalmente não está presente na mesa dessas famílias; por tudo isso, é importante que delas. Contem com o nosso comprometimento nesta ação", salienta a produtora de cogumelos shimeji Jaqueline Mognon.

Rogério e o pai, Francisco Miranda, produtores de hortaliças hidropônicas no bairro Quatinga, também salientaram a efetividade da atividade. "Nunca vimos nada igual a essa ação, que em pouco tempo mobilizou a todos", avaliam.

Colaboradores

Para que os produtos pudessem ser adquiridos, entrou em ação o técnico da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que procurou a Cooperativa dos Produtores Rurais de Jundiapeba e Região (Cooprojur), que congrega 32 famílias de produtores rurais, e a Cooperativa dos Produtores de Santa Isabel (Coarpro), outro município atendido pela CDRS Regional Mogi das Cruzes, que tem em seu quadro 22 famílias de produtores de frutas como caqui, goiaba, ponkan e banana, que se somaram aos 11 produtores do bairro Quatinga.

"Os produtores de caqui já vinham sofrendo muitas perdas, foi uma forma de integrá-los a essa ação", conta David Rodrigues, que ficou com a responsabilidade de fazer a interlocução e integração entre os vários atores − produtores, cooperativas, Prefeitura e Fundação Banco do Brasil.

"Prestamos assessoria técnica, auxiliamos na documentação necessária e ajudamos a organizar a logística das entregas", afirmou o sociólogo. O recurso é de R$ 1 milhão e sua gestão ficará a cargo da Cooprojur, que fará a compra dos gêneros alimentícios diretamente dos agricultores.

O Banco do Brasil e a Fundação Banco do Brasil iniciaram o trabalho com o objetivo de manter a renda dos agricultores, garantir a produção e o fornecimento de alimentos, além de promover a segurança alimentar das pessoas impactadas pela pandemia.

Segundo a Fundação, "a iniciativa apoia o processo de comercialização dos agricultores do Cinturão Verde de São Paulo, minimiza o impacto da pandemia e promove a geração de trabalho e renda. Diversos produtores estavam impossibilitados de realizar a venda da produção de hortifrutigranjeiros, que anteriormente era destinada aos restaurantes, bares e feiras das cidades da região. A produção de alimentos estava retida no campo e, por se tratar de produtos perecíveis (alface, rúcula, agrião, couve, dentre outros), poderia ser descartada", continua a instituição.

"Todos os objetivos foram atingidos com esta ação", afirma David Rodrigues, que disse ter contado muito com o apoio do diretor da CDRS Regional Mogi das Cruzes, Felipe Monteiro. "A interlocução entre a Secretaria da Agricultura e a Prefeitura vem sendo feita há anos via Regional, temos um ótimo trabalho parceiro que permitiu a agilidade dessa e de outras ações que realizamos", enfatiza Felipe Monteiro.

Atendimento

Cada família será atendida em duas ocasiões e em mais seis dias do mês de junho. A ideia é que outros produtos não perecíveis, como arroz, feijão e açúcar, sejam adquiridos de pequenos estabelecimentos, como uma forma de incentivar o comércio local. Para atender às determinações sanitárias, todas as pessoas envolvidas no projeto estão utilizando máscaras, luvas e álcool em gel. Também fazem parte do kit produtos de higiene e limpeza.

"É um trabalho em rede, que une quem está precisando vender no campo às pessoas que, com a pandemia, estão necessitando de alimentação. O objetivo é apoiar o processo de comercialização dos agricultores familiares e o provimento básico de alimentos e material de higiene às pessoas vulneráveis impactadas pela COVID-19", explica a secretária municipal de Assistência Social de Mogi das Cruzes, Neusa Marialva.

A Fundação Banco do Brasil vem desenvolvendo diversas ações semelhantes, de assistência social e saúde em meio a crise gerada pela COViD-19 (doença causada pelo novo coronavírus), em outras cidades, estados e regiões do País.